sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Fernando Correia Dias . Diário de Notícias . 28 de junho de 1931 . 

Hoje, 10 de novembro, nasceu Fernando Correia Dias e era o ano de 1892.
Assinando Correia Dias na maioria de todos os seus trabalhos, também grafava CD em cursiva ou Tira-linhas. Pintor, desenhista, caricaturista, gravador, escultor, paisagista, ceramista, ilustrador de livros, jornais, revistas, ilustrador de tecidos, de tapeçarias, criador e desenhista de mobiliário de interior e de jardins, decorador de interiores e  fachadas de residencias e prédios, de espaços públicos pioneiros, tal como a primeira biblioteca infantil do Brasil, no Rio de Janeiro, Pavilhão Mourisco em Botafogo!

Idealizador, produtor e realizador do Álbum do Brasil ao rei Alberto I da Bélgica quando da primeira visita de um monarca europeu à America do Sul, que consistiu em artes literárias e gráficas, documentos fotográficos, pedras brasileiras preciosas, consolidando a amizade de Brasil e Bélgica! 

Nasceu na casa de seus avós maternos na Penajóia, Lamêgo, Portugal.
Chegou ao Rio de Janeiro em 1914 , aos 21 anos, para expor 100 trabalhos de pinturas, esculturas e caricaturas depois de tremendo sucesso em Lisboa, tal como leio na Revista Ilustração Portuguesa em quatro páginas, trazendo na segunda capa, inteira o retrato à cores da exposição, realizado por ele mesmo!

Criou a capa da revista A Águia, aos 17 anos, onde na capa se lê a assinatura de Correia Dias por 22 anos! Revista mensal de literatura, arte, ciência, filosofia e critica social publicada no Porto(Portugal) só com inéditos. No segundo ou terceiro exemplar, estréia o poeta Fernando Pessoa, que anota em sua agenda pessoal a importância de O Correia Dias...!

Virtuoso nas suas técnicas, fluído no seu raciocínio, inteligentérrimo e sensibilíssimo, profundamente culto, admirado e consagrado por toda a imprensa nacional e internacional como O Irrivalizável Correia Dias, foi capaz de fixar Charlie Chaplin em 1931 em poesia de 11 traços e essa inquestionável presença de espírito em eloquência e essencialidade. Um gênio.


Fernanda Correia Dias 
in O Irrivalizável Fernando Correia Dias ou
O Correia Dias

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

7 de novembro ! Nascimento de Cecília Meireles!

7 de novembro ! Nascimento de Cecília Meireles!

ÚNICA!   ÍMPAR!    RETUMBANTE!!

Você não sabe o que é retumbante?
(que retumba, que provoca grande som, grande ressonância!)

UMA DEUSA, escreveu Drummond. EXATA, escreveu Bandeira. PROFESSORA DA ARCÁDIA, escreveu Vinícius. NEM TUDO ESTARÁ PERDIDO ENQUANTO NOSSOS LÁBIOS NÃO ESQUECEREM TEU NOME:CECÍLIA! escreveu Quintana.

Parabéns, Cecília Meireles!

in Entre duas datas: Viva para sempre.
Fernanda Correia Dias

domingo, 15 de outubro de 2017

M, G e Sant' Anna . Foto Fernanda Correia Dias . Copacabana
M, G e Sant' Anna . Foto Fernanda Correia Dias . Copacabana

      Tão logo entrávamos na sala  de estar, eu pedia para  me levantarem no colo, para que eu pudesse ver os santos nos oratórios que estavam sobre as cômodas. Conversar com eles. Ouvir o que diziam através dos gestos, olhares e quem eles eram. Reconhecer. Lembrar o que fizeram de exemplar pela humanidade.E aprender que era importante saber o que era importante e querer para a minha vida o importante. Eu lembrava daquelas biografias mínimas e importantes.
      Arrumados nas prateleiras internas do oratório, tal qual foram deixados por Jacinta, eles tinham uma ordem por amizade, entre eles, que minha mãe e minha avó conheciam e se não estavam exatamente onde deveriam estar, elas corrigiam as posições e eu também gostava de avisar . Elas deslocavam para cima, para baixo, para os lados, para frente e para trás e me deixavam colocar as flores que eu trouxe do jardim nas jarrinhas do oratório. Me ajudavam a fazer isso. Na maioria das vezes, meu avô ou minha mãe me pegavam no colo e minha avó pertinho ia me contando as histórias. Os três sabiam. Os três respondiam minhas perguntas.
Eu gostava de perguntar e de ouvir os nomes e o que fizeram. Eu ficava no colo deles, como aquelas crianças ficavam no colo dos santos e santas... Elas me mostravam o cãozinho de Lázaro, as chaves de Pedro, a lança de Miguel, Francisco e as pombinhas, as crianças de Fátima, a escada e a cruz, o coração de Jesus, os braços de Antonio, que se chamou Fernando segurando o neném e os lírios, Cecília deitada no chão, Cristóvão com o menino no ombro atravessando a inundação,  as cabeças, as coroas de espinho, os mantos, os pés descalços, as mãos nuas, eu lia nos sinais e concluía toda vez que ouvia os nomes...Sebastião, José, João, Paulo, Joaquim, o Anjo da Guarda, Therezinha, Maria!
Eu gostava de olhar para eles, conversavam em silencio, com gestos, eu ouvia o que diziam...
       Se as portinhas dos oratórios estivessem fechadas, eu pedia para abrirem, e eles pacientemente buscavam as chaves na gaveta de chaves, uma gaveta interessantíssima, cheia de chaves muito antigas, daquelas de ferro, escuras e imensas. Algumas em molhos, presas por argolas, também reunidas por serem só de armários de roupas, das alfaias, da portas de cristaleiras, das gavetas das cômodas...outras de portas, portões,  até as mínimas, bem pequeninas que abriam caixinhas de madeiras... 
     Entre todos os santos e santas dos oratórios estava a Sant' Anna! Gostava de olhar para ela e depois ir para a biblioteca com a vovó Cecília Meireles para ela ler para mim, como a Sant' Anna! Com o livro aberto lendo para a netinha, Sant´Anna parecia muito com a minha avó quando ela lia para mim e mais tarde,  como minha mãe lia para as netas Gaya e Kenya, minhas filhas.
Jacinta, Sant' Anna, Mathildes, eternas professoras ensinando o que é importante para todos nós fazermos sempre melhor do que o que já foi feito. A excelência.
      Jacinta que era açoriana da Ilha de  São MIguel, analfabeta e muito sábia, de coração precioso e bem formado, deixou estes dois oratórios, onde ela provavelmente bebeu parte de toda a sabedoria que possuía e que eram realmente dois livros sólidos, tridimensionais, de imagens totalizadas em beleza, cheios de histórias de biografias inspiradoras de vidas passadas, que as imagens reunidas ali como pessoas amigas, contavam com sinceridades de humildades e gestos e que educou sua filha Mathilde-professora, sua neta Cecília-professora, suas netas Marias-professoras e as bisnetas também Marias-professoras...
      O livro sagrado explicava melhor cada um, o que fez e por quê fez, cada santo, santo!
      O sagrado livro que me ensinou que a literatura é a verdade do homem, escrita.
      O livro sagrado, precioso,  os livros sagrados, preciosos, as vidas sagradas para nos ensinar a sermos melhores que nós mesmos. Essa era e é a introdução da minha infância no livro da minha vida que eu levo para onde vou na memória e no coração. O Amor por nós e por todos nós. O Amor.

Fernanda Correia Dias
in aos professores que professam ou profecias.



terça-feira, 10 de outubro de 2017

10 anos de saudades de Maria Mathilde. Nossos barcos. 
Foto Fernanda Correia Dias

Só barcos na armação
Balançando.
Brancos. Azuis. Vermelhos.
Sobre a água clara.

Com legendas:
Flor da água
Meu repouso
Berço de Yara

Balançando
Pousados
Cheios de garças,
Gaivotas; Flamingos
Pensativos
E sonhadores

Ao por do sol
Cansados, sonolentos
Balançando
De um lado para outro
Cobertos de luar e de estrelas
Dormem nos meus olhos
Dezenas deles...

Maria Mathilde Meirelles Correia Dias

in Saudades da Mamãe, 10 anos
Fernanda Correia Dias

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Maria Mathilde e Fernandinha . Copacabana . 1960

Então vamos comemorar seu aniversário assim: o dia com Maria! O filme Mary Poppins ainda nem tinha sido lançado no Brasil, mas você já chegava com sua famosa bolsa que nós dizíamos que era de Mary Poppins e ia tirando abatjour, sapatos, chapéus, casacos, biquines, bolas de plástico de praia para assoprar, espelho e nos ensinava truques que praticávamos num estalar de dedos,em colocar todos os brinquedos em ordem, num passe de mágica, para trocarmos de roupas e irmos para a praia com você, acompanhadas daquela pergunta: Pernas para que te quero?!!!! Vamos!!!! Que aventuras teremos hoje?
Uma felicidade! Você conversava com sabiás, bem-te-vis, pardais e conversava com sua sombra, com as nossas ou com sua imagem no espelho e com as nossas e ria de você, dizendo gracinhas! Dançava na praça conosco,nos ensinando passos que repetíamos até acertarmos o ritmo e nos ensinava palavras enormes como anticonstitucionalissimamente e explicava o significado: oposto à constituição!
E constituição??? você nos dizia_ Conjunto de leis que regulam a vida, como por exemplo: Bento que bento é o frade, Frade! Na boca do forno, forno! Faremos tudo que seu mestre mandar?Faremos todos! E se não fizermos? Ganharemos um bolo!!!
 E nos ensinava a falar ao contrário, de trás para frente: etnemamissilanoicutitsnocitna, e explicava como ler de trás para frente, encontrando outra som daquela outra palavra...para nos surpreender nos ensinava que arara, ovo, osso, asa, rir e reler de trás para frente e de frente para trás, lia-se igualzinho e era a mesma coisa e o mesmo som... Eram Palíndromos!
Se tivesse um quadro negro com giz e apagador, pegava um giz em cada mão e simultaneamente escrevia seu nome completo em várias versões: 1. Mão esquerda começando pela última letra do nome, (ia escrever de trás para frente) e mão direita ia escrever seu nome pela primeira letra; então começava com as duas mãos juntas e terminava com os dois braços bem abertos. 2. As duas mãos escrevendo simultaneamente para a mesma direção: tanto da primeira letra para o final, quanto do final para a primeira letra; 3. Ia escrever seu nome com os braços abertos tipo Cristo Redentor e ia terminar simultaneamente com os dois polegares se encontrando num único ponto central !
Era um show! Nós tentávamos, mas... só você conseguia! 
Você brincava nos desafiando ao mais impossível quando você conseguia tocar a ponta do nariz com a ponta da língua e todos nós tentávamos em vão!
Eram muitos risos! Muitos!
Por onde andava distribuía amor com seu sorriso lindo e seus olhos de espelhos verdes e cinzas, assim aprendíamos a gostar de ver vitrines, escolher o que houvesse de mais bonito na vitrine, fosse do que fosse... sapatos, bolsas, luvas, lenços, louças, canetas, doces... Aprendíamos a gostar de passear em cavalinhos de carrossel, entrar dentro das pinturas de paisagens e passear ali dentro das tintas e imagens, conversando sobre o que estávamos vendo e em seguida sobre o que tínhamos visto...o... um algo inesquecível.... que tínhamos que nos lembrar e contar para quem encontrássemos, o que e como vimos! E sempre tínhamos novas  palavrinhas para trocar, mesmo com os recém-conhecidos, que nos julgavam simpaticíssimas,, inteligentes  e com excelentes diálogos !
Perfeccionista você nos dizia:  Bem começado já é meio trabalho! ou bem iniciado, quase terminado.ou...Faça certo de uma vez,  para não fazer duas vezes! e se reclamávamos de estarmos cansadinhas, você nos animava e ainda nos anima: Cesteiro que faz um cesto, faz um cento!
Talvez todos quisessem comentar suas inumeráveis qualidades, num único instante, e como não conseguiam, diziam: A Mathilde é muito inteligente, é incrível! A Mathilde é maravilhosa, A Mathilde é a Super-Mathilde, e todos comentavam  sua beleza e disposição. Esse enfrentamento da vida com lealdade  e espontânea coragem. Tão raro, mas, tão raro que depois da praia, do museu, da galeria, do banho, do almoço, das brincadeiras você nos avisava: Levantar acampamento! Tchau Viruchinha, vou com meu bando, minha tropa, para o cine-hora ver o gato e o rato e o Charles Chaplin, depois prometi que íamos ao Parque Lajes, antes dos portões fecharem! 
E fácil, fácil, levantávamos acampamento alegres, repetindo brincadeiras sonoras, com você, assim: No reino da Mafagafa, mafagafavam cinco mafagafinhos, quando a Mafagafa, mafagafava, mafagafavam os cinco mafagafinhos...
Beijo, única!
Te amo!

Fernanda Correia Dias
in Expiatório para a educabilidade através da delicada beleza ou
Supercalifragilisticexpialidocius de Richard e Robert M. Sherman para Mary Poppins . Disney

 .

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Verde que te quero verde . Romance Sonâmbulo.
 Homenagem a Federico Garcia Lorca. Fernanda Correia Dias . Fotógrafa
Verde que te quero verde . Romance Sonâmbulo.
 Homenagem a Federico Garcia Lorca. Fernanda Correia Dias . Fotógrafa

Assim mesmo fui educada: tire tudo de sua cabecinha. Lá dentro tem muita coisa. Você é muito Inteligente e sensível! Vai tirando. É muito mais bonito alguma ideia que sai de dentro de você, porque vai alegrar o mundo e vai alegrar seu coração!
Sempre muito beijada e aplaudida por minhas ideias que saem de dentro da minha cabecinha,não parei mais de criar. Mas, desde sempre, foi lugar comum realizar algo muito bom, interessantíssimo e inédito e a reação das pessoas me espantar! Uns dizem que eu não criei aquilo, copiei de algum lugar, que comprei, outros que alguém fez aquilo lá não sei onde, que eu importei, etc...etc...  me acostumei a criar, fazer e  ouvir que não fui eu que fiz, inventei, realizei, confeccionei, montei, etc..etc...Afinal quando perguntam é preciso responder. De preferencia a verdade, não é? Quando digo a verdade é pior! Dizem que estou brincando, que não é isso não...lá, lá, lá...Mas o meu maior espanto é como as pessoas são inábeis!
Incapazes, incompetentes, mal preparadas...
Mãos descoordenadas, idéias absurdas, falta de bom-senso, desequilíbrios, ausência de harmonia, imponderáveis agressividades...Vazios.
E como absorvem para si qualquer coisa que você diga, faça, crie, escreva...??
São péssimas copiadoras, péssimas, mas o mundo em que estão vivendo é vazio, banal, árido... 
Me disseram que sempre levamos um pouco da pessoa que passou por nós, acredito que sim, mas um pouco não é tudo ou ipsis litteris. Existem abundancias de  apropriações indébitas, roubos, mesmo! E como! É de corar qualquer um com as mentiras que acompanham o roubo...
Roubam e roubam. Não pensam com a cabecinha. Roubam assuntos de criação intelectual e material. Coleções de objetos, mesmo que datados e publicados!
É um absurdo!
E ainda tem quem diga que aquilo que está comercializando está sendo criado por mim, só para garantir o dinheiro no próprio bolso!!!
Então queridos, muito agradeço a lealdade e assim retribuo, como fui educada: tirem tudo de suas cabecinhas. Lá dentro tem muita coisa. Vai tirando. É muito mais bonito alguma ideia que sai de dentro, porque vai alegrar o mundo!
Verde que te quero ver-te, porque vão-se os anéis e ficam os dedos!!

Fernanda Correia Dias
in Vão-se os anéis e ficam os dedos.



sábado, 9 de setembro de 2017

Meu coração de ilha . Fernanda  Correia Dias . Fotógrafa.

Bem ali no meio, entre as folhas, meu coração. 
Click e amplie.
É assim mesmo que as pessoas me olham. 
Como ilha guardada pelo céu, sol, mar e vegetação.
(É a minha natureza!)
Eu sou a do meio!
Harmonia.