Fernanda Correia Dias . Os idiomas . Fotografia
Recentemente li diversas lápides onde mensagens de ternura e nomes de famílias inteiras foram esculpidos em mármore. Datavam de 1700... o que é recente para qualquer idioma.
Expostas ao sol e às chuvas tropicais, cada lápide em pedra cedeu seu grau de resistencia à areia e na maioria eu procurava adivinhar palavras e nomes sobre pedras brancas...Mas ali estava o idioma.
O virtuosismo dos tipos de letras e a imaginação dos arabescos sonhados e executados em pedra pareciam agora esboços em algumas partes... e nas mais protegidas, estavam plenos,vigorosos e parcialmente perpetuados até aquela data. Mas até quando?
Se o destino da pedra é transformar-se em areia, vão junto os nomes e as intenções... aquelas ternuras comoventes escritas em vida dos que ficaram, em relevo e com sonhos de definitivos: Em memória... Saudades... Meu amor... Exmo...Conde...Condessa...Família...Nossa querida e inesquecível Robertinha...
Eu caminhava entre a gramática, agradecida de 200 anos depois poder ler e entender aquelas palavras.
Porque os idiomas devem perpetuar para as futuras gerações, aquilo que abrigaram como regra e sentido.
Os idiomas, preservados em suas formas gramaticais permitem que possamos compreender o que sentiam e pensavam os que estiveram antes de nós...
Os idiomas e suas formas gramaticais devem ser preservados para a finalidade de entendimento futuro.
Imagine se ao invés de lápides eu estivesse lendo sobre a psicologia humana ou sobre como construir um navio, 200 anos depois...Não é fascinante?
Fernanda Correia Dias
in Estas histórias das nossas vidas