sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Arte de Fernando Correia Dias 
para a capa da Primeira Edição do livro de 
Anna Amélia de Queirós Carneiro de Mendonça
1932

Como uma onda no mar, um corpo feminino livre  se levanta no meio do oceano...! 
É de uma beleza gigante, esta arte de Correia Dias. 
Por si só e em si mesma, as mãos curvas preparando o novo encontro com o profundo.
Quanta sensibilidade reunida em traços enxutos e nesta infinita capacidade de criar a unidade, a inteireza, coisa raríssima em equilíbrio, elegância e totalidade.
Magnífica. Magnifico! De fato um grande designer com extrema capacidade de síntese,

Da Anna Amélia eu lembro de dois versos, que as vezes me olham, quando passo pela fachada do Solar dos Abacaxis no Cosme Velho ou caminho sobre as pedras do Largo do Boticário ouvindo o Rio Carioca passar:
A lagrima que causa indiferença
Seca-a depressa uma palavra boa!
Poeta, Anna Amélia nasceu em 17 de agosto de 1896, carioca do Rio de Janeiro, falava inglês, francês e alemão, traduziu peças de William Shakespeare, defendeu os direitos das mulheres, foi a primeira mulher a ser membro no Tribunal Eleitoral, colaborou com a criação da Pró-Matre e a fundar a Casa do Estudante do Brasil. Casou-se com Marcos Carneiro de Mendonça, goleiro, escritor e  historiador que jogou no America, na Seleção Brasileira e no Fluminense. Ambos foram pais da minha amiga Barbara Heliodora querida, ensaísta, tradutora, professora, critica de teatro e profunda conhecedora da obra de William Shakespeare.

Observe novamente a arte de Correia Dias acima.
Você compreende melhor o magnífico  poder de síntese de Correia Dias?
Não é esplendido?

Como uma onda no mar, como uma onda no mar!

Fernanda Correia Dias
in Correia Dias, Gigante pela própria natureza!

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Fernanda Correia Dias . Fotógrafa . Fibra
Meu amigo chegou como um peixe, exausto de tanto nadar. No peito a flecha atravessada onde ele ainda apoiava a mão e entre os dedos inclinava a haste para encontrar espaço na respiração em tanta dor. Meu amigo tinha os olhos saltados da cara, e tão logo pode, livrou-se do veneno que tinha corrido todo o seu sangue e passado por seu coração, me dizendo assim: Meu filho, o meu filho... se intoxicando... intoxicado, já tentei tudo o que sei de físico e espiritual e diante do desprezo que meu filho demonstrou por tudo que fiz e faço, perdi o controle e meti a mão na cara dele, gritando: Acorda! Acorda!
Estou arrasado, sempre acarinhei meu filho, nunca agredi meu filho, nunca dei uma palmada, perdi o controle, perdi o controle... Era um sonho.
Estamos vivendo esta realidade que muitas crianças não conhecem o pai apesar de conviver no mesmo espaço e o pai não conhece o filho, abduzido por responsabilidades com o trabalho, que dizer de educar o filho. Terceiriza tudo quanto pode e quando pode e quando não pode, vai largando mão no se vira aí... Estamos vivendo esta oferta de horrores sucessivos em que o ser humano se esforça em ser descartável, nesta aldeia de descartáveis. Um lixão que vez ou outra a ventania levanta e voa entre as velocidades dos automóveis na estrada da vida de cada um aquela pancada desconexa de lixo e apodrecidos no visor do carro. De valores descartáveis... Era um sonho.
E para tudo tem solução, porque vivos estamos e acreditamos no valor humano, na importância do amor, do valor dos seres, ajudando uns aos outros, erguendo e reerguendo as estruturas musculares para a força da asa que levanta o espírito para a Beleza da vida e isso deve começar logo, já, como um levante social que feche a torneira desta abundancia de produção de lixo. A quem interessa? Era um sonho.
A preocupação é a resposta. Preocuparmos. Pré-ocuparmos nossas ações com o que é o certo. Já. Levantar do pesadelo com a vontade de caminhar e buscar a correção da rota. Neste instante. É possível e muda o mundo de cada um e logo expande para o universo social dos sonhos ideais que praticados reinventam o universo total para a direção da excelência. Nove entre dez vão falhar? Tenho uma logística vencedora: Tente dez vezes.Sempre. 

Fernanda Correia Dias
in Tente dez vezes

segunda-feira, 17 de julho de 2017

A fonte em arte marajoara do ceramista e designer Fernando Correia Dias  no Parque da Cidade em outubro de 1965, vendo-se além da maravilhosa fonte os dois ídolos da TV, a encantadora cantora Vanusa e o famoso lutador italiano Ted Boy Marino - Revista O Cruzeiro 1967.

Então, encontrei mais uma fotografia da fonte criada e realizada pelo ceramista e designer Fernando Correia Dias, em 1930, para a residencia de Guilherme Guinle na Gávea, atual Parque da Cidade, onde aparece a cor da cerâmica e parte do contorno e da altura da borda da fonte, assim como a de acabamento, os peixinhos, que, infelizmente, não mais existem no local.
Fato relevante, porque em algum lugar devem estar estas peças que foram criadas para esta fonte, assim como as demais que fazem parte do maior conjunto de mobiliário para jardim realizado por um artista e que foram subtraídas perdendo a Cidade do Rio de Janeiro importante aspecto da obra do designer.

Fernanda Correia Dias
in Fonte de autoria e realização do designer Fernando Correia Dias

Fernanda Correia Dias . Fotógrafa . Água mole III

Estou voltando do Recreio dos Bandeirantes dentro de um BRT e olhando a muralha de prédios, este emparedamento de 30 andares, que recorta o céu que antes era de horizonte à horizonte, entre a Barrinha e o Recreio, em todas as direções e sinto uma mão apertando meu coração, como se fosse uma manga agarrada por um ladrão, comprimindo, me asfixiando e para me libertar olho para bem longe e escuto as gargalhadas que dávamos dentro do carro da mamãe, enquanto ela dirigia e parava onde queríamos para andarmos sobre as dunas, observarmos melhor os imensos cactos e as flores lindas dos cactos que nasciam nas dunas. Areias branquíssimas, secas, escorreitas,desabando ao primeiro toque, onde brincávamos de descer como elevadores naturais... O paraíso deserto de humanos e todo natureza nos recebendo, borboletas, passarinhos, vespinhas...As cascas de tangerinas que lançávamos pela janela do carro nas margens do caminho iam nos perfumando e nos deixando perfumadas enquanto perfumávamos o nosso próprio caminho! O tamanho daqueles céus, as cores daqueles céus, nas diversas horas do dia, nos deram uma sensibilidade por exercício de percepção intransferível. Muitas vezes, me perguntam, como você sabe que horas são?, Onde aprendeu?, Como sabe se vai chover? Lendo o céu? Mas, como? Por que diz que vai ter sol? O que estás vendo nas estrelas?Como sabe que são aquelas nuvens que trazem as tempestades? Por que será uma chuva de verão?
Essa percepção exercitada, desenvolvida, praticada continuamente por amor a natureza, à contemplação da instabilidade de todas as coisas, daquele paraíso é que agora me abraça pelas costas e me esmaga com a notícia que hoje não é mais assim, nem é mais possível. Não foi o mato que cresceu ao redor, ao redor, como cantávamos na canção da infância, mas, os 30 andares cresceram ao redor, ao redor, ao redor...
Não ouviremos as cigarras, nem o coaxar da sapolândia, nem veremos a revoadas das andorinhas e dos biguás como antes, porque apesar de tudo aquilo ser deles e só deles para sempre, por ora os homens invadiram com cimento e pressa, com ganancia e desrespeito humano e até os jacarés passeiam entre as calçadas e os moradores, quando não aparecem nas piscinas dos condomínios depois de nadarem perdidos por tubulações de engenharia desrespeitosa com seus habitats...
Passam apressados os BRTs e os carros, por onde passávamos, passeando felicíssimas com a mamãe, cantando e apalpando entre nossos dedos os jardins da pequena estrada que nos levava até à Prainha e a Grumari!
Fernanda Correia Dias
in Barrinha, Barra da Tijuca, Recreio, Prainha e Grumari em 1970

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Fernanda Correia Dias . Fotógrafa . Rato

Diante dos acontecimentos, das notícias diárias, fiquei pensando nas inúmeras faces de ratos! Poderia redigir um tratado sobre as nuances, as máscaras, as estratégias, logísticas...alturas, idiomas, armadilhas...simpatias!!! Ah! as formas, os tamanhos e sempre a lesão!
E por quê? 
O Brasil precisa ser amado. Por  brasileiros que se respeitem, se admirem, se amem, se ajudem, se empenhem em pensar melhor, no melhor. Onde estes brasileiros estão? Hein?
Fernanda Correia Dias
in Hein?



domingo, 9 de julho de 2017

Fernanda Correia Dias . Fotógrafa . Lótus da Índia

Jean Paul, meu melhor amigo francês! 
Hoje pendurei a vitrine, pensando em você. Na sua inteligencia e sensibilidade. Reto, correto, culto, amigo da primeira hora, no instante. Raríssimo. Pessoa rara.
O que é uma pessoa rara? É aquela que passa por sua vida sempre sendo para você a melhor pessoa possível! O melhor caráter! Desde o primeiro encontro ao último. E ficam assim para O Sempre.
Humm... mas são raríssimas, mesmo. Tenho a sorte de ter amigos raríssimos. Tenho um outro amigo americano, meu primeiro amigo na América, com a mesma força de raridade. Essa força que só encontro nos meus consanguíneos. Jean, é um espírito elevadíssimo, capaz de me dizer verdades com amor. Impedir e afastar os perversos do círculo e converter os espíritos rasteiros, os circulantes, em dignos. O maravilhoso designer japonês, visitando Paraty, vestiu a coleção, comprou muito e aplaudiu. Jean Paul ligou para me dizer que era espontâneo as pessoas se apaixonarem pelas estampas criadas por mim e expostas na pequena vitrine, principalmente os mais sensíveis e experientes. E que a cópia dos meus produtos por uns fabricantes da região,era a consagração da minha arte de criar, porque ninguém copia o que não admira ou o que não vende...A questão é que eu estava sempre adiante inventado mais e mais e os copiadores iam ficando para trás porque não tinham qualidade, harmonia, inteligencia ou porque simplesmente eram cópias e copiadores.
Afirmava o que aprendeu com Chanel: o luxo não é o oposto da pobreza, mas da vulgaridade. Assim, quando ele abria a vitrine para tirar aquelas peças exclusivas, ele sabia que estava diante do meu trabalho que era vivo, sensível, original e pelo qual ele tinha tremenda admiração por não ser moda, mas estilo.
Jean citava Coco: a moda sai de moda o estilo jamais.
Para este texto Jean acrescentaria mais Chanel: Não é a aparência, é a essência. Não é o dinheiro, é a educação. Não é a roupa, é a classe. 
Um ser de seiva culta, interessado em compreender o valor, em acolher, praticar  e acrescentar honestidade, verdade, essas qualidades de caráter raro sempre e mais ainda nos nossos dias.
Fernanda Correia Dias
in o estilo jamais.




Fernanda Correia Dias. Fotógrafa . Nuvem rosa

Ajuste fino. Isso mesmo. Ajuste fino.
Você tem que buscar isso para você se quiser ter ajuste fino.
É desenvolver uma percepção da pertinência e importância daquilo que você está fazendo e como está fazendo. Daquilo que está dizendo e como está dizendo. Daquilo que está pensando e como está pensando. Para onde está indo, para onde está se levando, perguntar a si mesmo o que você está fazendo com você. Você quer ter ajuste fino? Tem que buscar isso para você. Não é sozinho... É com pessoas da sua família. Os que te amam. Os que querem o seu bem.
As pessoas que te amam muito vão te dizer com  amor o que pensam sobre, e vão dizer mais detalhadamente se forem perguntadas por você sobre os detalhes. E se elas souberem. Se não souberem vão buscar ajuda ao seu lado. E vão dizer o que sentem ou o que fazem com o que sentem e como fariam.  Pergunte sempre para estas pessoas da sua família que você sabe que te amam.
O que é falta de ajuste fino? É você fazer um juízo equivocado; é partir para cima sem considerar quem você é; é propagandear inverdades; é falar por falar; é julgar por intrigas, suspeitas; é cultivar a raiva; é querer o mal do outro; é cobrar indevidamente; é não perceber a hora certa; é empurrar quem já está caindo; é tomar de alguém o que não é seu; é machucar com palavras; se meter em grupos que estranha; é não ouvir sua intuição, não acreditar na sua estima, na sua educação;  não respeitar-se; não respeitar o outro; é não conversar com o seu próprio desejo, espírito e consciência se perguntando sabiamente quem é o vírus  invasor que está te desestabilizando; te escravizando; fazendo você sofrer e trata-lo com sabedoria.
Quem destruiu, reconstrói. Quem errou, conserta. Quem se equivocou, esclarece. Quem sabe fazer o bem, faz primeiro para si mesmo. 
Fernanda Correia Dias
in Ajuste fino, sempre e já.




quinta-feira, 6 de julho de 2017

Fernanda Correia Dias. Fotógrafa. Não põe a mão no meu violão

Música, sempre a música nas nossas vidas e aquelas cançõezinhas que ouvimos e aprendemos.
Elza Soares cantava em 1962 Não põe a mão no meu violão...Vai desafinar!
Mas os violões nos acompanharam sempre! Aprendi a tocar com a minha mãe que me deu esse  Di Giorgio com muito carinho, novinho, maravilhoso! Violão amigo onde compus musicas, onde musiquei poemas da família e os que escrevi para a família, filhas, amores e amigos.Depois as meninas se interessaram e me pediram para ensinar. Ensinei. Aprenderam. Outro dia toquei com a filha menor as minhas musicas que ela aprendeu. Tocamos juntas. Emocionante depois de tanto tempo ela lembra e me relembra as notas que esqueci!Então sou ainda mais feliz, porque ela sabe mais!
A musica preenche o espaço, ilumina o silêncio,  vive nos nossos corações. O quanto temos de precioso entre nossos violões e canções vivendo em outrros corações!!
Fernanda Correia Dias
in Não põe a mão no meu violão! 

Fernanda Correia Dias . Fotógrafa . Tulipa

Não era uma tulipa, eram três rosas, em três tons de rosa entre umas folhas  verdes que eu havia pintado e finalizado sobre um papel manteiga, com tintas cuidadosas. A menina minha filha, apareceu e me disse que queria desenhar uma borboleta na minha arte. Era o dia 29 de abril de 1989. Isso! Ainda está datado com a minha letra no papel...  A menina estava com dois anos e quatro meses e eu grávida de um mês, da irmãzinha dela... Foi quando ela escolheu uma canetinha de cor dourada e num movimento de borboleta, adejando, esvoaçando, passeando em volta das flores, ela conseguiu borboletear em linhas continuas e curvas com a canetinha, ir e voltar e sair da folha, passando para o verso do papel onde pela transparência  vemos as mesmas flores invertidas, e a linha em voos, borboletando o verso da folha também e depois voltando para a face anterior!
Percebes que para ela, desenhar a borboleta no meu desenho, foi borboletar, planar com a canetinha deixando a trajetória do passeio da borboleta na frente e no verso do papel?
Toda vez que olho para esta composição vejo como ela viu,  flores tridimensionais! Como deu a volta mental e corporal nas rosas! Um filme onde a borboletinha da mão dela voa ! Está ali voando! E vai voar no verso da folha e volta!!!!
Sensacional.


Fernanda Correia Dias
in A K. estava ao meu lado e disse que queria desenhar uma borboleta e aí está! 29/04/89

Fernanda Correia Dias. Fotógrafa . A estrela

Ela me trouxe uma caixa e me disse : Difícil  buscar um presente para você. Algo que combine com você,  parecido com você, que você não tivesse, que fosse diferente de tudo o que você tem e que ao ver eu te visse, para que você veja como eu te vejo...
Dentro da caixa grande, quadrada, com tampa, estava uma linda, delicada, dourada, cravejada de brilhantes, inesquecível  e imensa estrela.


Fernanda Correia Dias
in Presente que minha mãe buscou para mim para que eu visse como ela me via.
Fernanda Correia Dias . Fotógrafa . O olho de Tia Helena

Existem pessoas que você conhece e logo no primeiro instante, aquele espírito te olha de lá de dentro de uma piscina azul e com a menina dos olhos vai escaneando sua inteligencia e sensibilidade. Isso você percebe na expressão facial da pessoa, que vai externando  insights sucessivos... Sutis... e logo conclui a percepção, consolida um raciocínio aplicando imediatamente em você, belas afirmações e perguntas. Estas pessoas penetrantes e sedutoras são excelentes seres humanos. Alegram imediatamente quem se sentia triste, incluem um assunto efervescente na roda dos amigos, comentam algo interessantíssimo onde todos podem manisfestar uma palavra, uma visão e aceleram a conversa com tiradas positivas, animadoras e confiantes. Estas pessoas tem um valor imenso, porque apesar de sermos todos únicos, nem todos exercemos esta prática de trazer para bem próximo de nós, no primeiro encontro, o humano recém encontrado. 
Se viver é a arte do encontro, estas pessoas não passam por sua vida sem terem deixado em você, o sentimento que vale a pena você se debruçar sobre o outro e contribuir com uma linda palavra ou raciocínio, no instante, mesmo que nunca mais se encontrem.
Tia Helena musical, divertida, positiva, brincalhona, animada, inteligente, querida, ao voltar os meus olhos para os seus,  vi seu belo olho azul nas torres me espiando?

Fernanda Correia Dias
in Beijo na Tia Helena  no Santo Inácio

terça-feira, 4 de julho de 2017

Fernanda Correia Dias. Fotógrafa. No meio do mar

No meio do mar
o olhar é outro
não é de Terra, nem é de ar...
está solto

Não há amarras, limites
no meio do mar os
muros existem
são as mãos da água
do frio e as cobertas solares

No meio do mar 
o horizonte é um abraço
de infinito e desconhecido
de céu e água de
possível e impossível

De engolindo, de engolindo, o engulido.

E o coração do barco
é um coração humano,
no meio do mar.

Fernanda Correia Dias
in Limites 

Fernanda Correia Dias. Fotógrafa. Gaivota

Não voltarás mais.
Nem que te cubras de brumas
Ou brisas suaves de espumas
Nem que surjas das pedras
dos corais, das linhas de pesca, das redes
Nunca mais retornarás.
Nem em forma de vento, alento, arrependimento
ou sedento.
Se abrires os olhos, não verás.
Nem apalpando o escuro, desenhando ou abrindo, absorto, absurdo,
contornando palavras de veludo
abotoando pernas, mãos ou braços,
Não te esperará mais, nem deserto,
ilha encoberta, Estrela Vésper,
Aurora, tarde, noturno.
Nem uma canção fará você ouvir
como antes, tocando as cordas do seu espírito,
vibrando na sua dor de garganta uma cor, várias, um grito, não virás.
Nunca mais.
Como antes
Por que por não ser eu mais a mesma
não te reconhecerei, não abrirei os braços, não acenarei ao longe, não correrei sorrindo ao seu encontro, não me alegrarei
 Por eu não ser mais a mesma, mesmo que te conserves eras e eras, como eras,
não encontrarás em mim, o antes. Minha beleza interior, preciosa, brilhante.
Nunca mais. De ti não quero nenhuma lembrança. 
Não te guardo e ao balbuciar meu nome e repetir mil vezes para si mesmo a musicalidade do meu nome ; Fernanda; dobre a língua. Fernanda significa aquela que propõe a paz.

Fernanda Correia Dias
in Gaivota

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Fernanda Correia Dias. Fotógrafa . Seiva

Mais de 50 anos na minha vida eu nunca vi nem ouvi algum adulto dizer a um ser humano, principalmente a crianças e adolescentes, o que ouvi centena de vezes da minha mãe, avó  e tias dizerem .. Aquilo que elas mesmas chamavam de ladainha, porque ouviram diretamente da Mãe delas! Elas nos ensinavam a alcançar imediatamente a consciência se tivéssemos, momentaneamente, perdido... Elas diziam ao meu irmão e primos quando eu e minha irmã estávamos chorando: _Vocês gostariam que elas fizessem em vocês o que vocês fizeram com elas? Então? Se arrependam logo do que fizeram e peçam desculpas!  É fácil fazer chorar e difícil fazer sorrir? Vá lá e peçam desculpas! Digam que estão arrependidos. Elas não sabem perdoar? Sabem sim! É difícil perdoar, mas elas sabem perdoar. É difícil dizer? Mas nem tudo é fácil na vida! Digam o que sentem. Elas não vão querer escutar? _ Vão sim! Digam o que vocês sentem. O que sentiriam se fizessem isso com vocês? O que gostariam de ouvir? Também não é fácil ouvir as desculpas quando estamos machucadas.O que vocês gostariam de ouvir se elas tivessem feito isso que vocês fizeram com elas? Pensem bem! Contem até 10 antes de fazerem. Vocês devem ser amigos, ajudar individualmente e juntos, uns aos outros, estarem sempre unidos, se amarem.  Sempre transformar o amor e a amizade em realidade. Praticar isso. Sempre. Para sempre.
Andem! Realidade! Já!
Fernanda Correia Dias
in Ladainhas e Cantilenas


domingo, 25 de junho de 2017

Foto Fernanda Correia Dias . Grade . Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro

Assim, na passagem, para a respiração entre o interno e o externo, entre o muro de pedra e o ar livre, a grade! Sem dizer a ninguém: _Não ultrapasse, ela explica com harmonia, que o teu limite é ali. Que o teu limite termina quando começa o dela.
Portanto pare de desrespeitar a si mesmo com essa certeza obscena e obcecada que todo e qualquer limite tem que ser ultrapassado, aviltado, desrespeitado, etc.... Eu te aviso: Não faça isso com você. É evidente que você não se respeita quando não respeita o seu limite próprio... Mas o do outro? O que será de você para você? Não se envergonha, não?
As pessoas perderam o respeito humano? Imponha com suavidade e clareza. Mas antes, respeite a si mesmo, para não cair naquele ditado que te desmoraliza..." Faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço..." Quem vai acreditar em você? Eu não sou você. Eu sou eu. Eu faço o certo por mim. Sempre fiz. Os outros que façam certo. Todo dia eu me esforço em aprender algo novo e correto. A praticar. Ser exemplo construtivo. Agora aprendi a usar o cloro ativo, e não tenho mais nada à minha volta com limo...Aponto e aperto o gatilho do espirro do cloro diretamente na direção do limo e depois passo um paninho e tudo fica claro. Bem claro. Evidentemente claro. E como a clareza faz bem! Eu lembro quando você andava atrás das portas e janelas, com o ouvido encostado nas madeiras, quando eu te flagrava na posição de escuta, colado nas paredes ou te assistia chegar pé ante pé, para ouvir o que diziam os outros de você, na sua ausência... Eu não sei o que eu pensava estarrecida, mas eu sei  que eu sentia um constrangimento imenso de não saber o que fazer com o que você fazia de você. Que você estava devendo a si mesmo honestidade e para com os outros e por consciência pesada, espreitava se alguém já sabia das suas mentiras! Ah foram tantas!!!
Como alguém se permite viver dentro de mentiras, omissões, inverdades?? A lesar os próximos? Não sei. Não sei. Assim dizia a mulher que encostou na grade para o ar livre, enquanto eu esperava minha amiga me buscar.
Quando minha amiga chegou me perguntou: Quem era?
Não sei, respondi, mas o que ela dizia serve para quem couber a carapuça!Não é? Você não acha?
Fernanda Correia Dias
A Grade da Escola de Belas Artes





quarta-feira, 31 de maio de 2017

Fernanda Correia Dias . Fotógrafa . Taiobas

Quando toquei na caixa e olhei para dentro, não estava! A bailarina branca que descansava numa almofada branca, para sempre, agora estava no chão e a almofada partida em dois! Dois pedaços! Mas o que mais me surpreendeu foi perceber que todos aqueles lindos dedinhos, não estavam mais em suas mãozinhas!
Quebraram? Quebraram! Prendi a respiração e procurei no chão os dedinhos brancos de porcelana... do tamanho de uma cabecinha de alfinete, os dedinhos da bailarina... fui trazendo um por um para cima de uma caderneta caramelo, pára através do contraste entre o caramelo e o branco, não perder os dedinhos e localizar melhor... Posei sobre a mesa a bailarina e a caderneta e agora ela sem os dedinhos das mãos observava os seus dedinhos sobre a caderneta amarela.
Andei para um lado, andei para outro e toda vez que passava diante da bailarina olhando para os seus dedinhos sobre a caderneta caramelo, eu me reimpactava com a cena. E parava para assistir ao lado dela... 
Tem certas situações que eu vivo... que são vivas.. Olha onde coloquei aquela boneca de pano, grávida, da altura de uma lombada de livro!?!.. na frente do livro A vida do bebê de Rinaldo de Lamare... não me pergunto o Por quê, destes acontecimentos, apenas recebo como notícias da harmonia silenciosa que está em tudo, mesmo quando eu e a bailarina, ainda nos espantamos com os dedinhos sobre a caderneta caramelo...
Fernanda Correia Dias
in Reflexão sobre os acontecimentos que acontecem.

terça-feira, 30 de maio de 2017

A Casa de Bonecas da Fernandinha . Foto e Arte de  Fernanda Correia Dias

A Casa de Bonecas na vitrine 
        Muito provavelmente você não pode ver o que eu estou vendo porque você não está aqui, e esta totalidade não pode ser fracionada, nem transferida por inteiro através de letras...mas eu posso descrever o que estou vendo e como estou me sentindo diante desta casa de bonecas que está dentro da vitrine desta loja.
       Estou me sentindo como aquela personagem do conto de Katharine Mansfield, que você provavelmente  não conhece nem o conto. nem a autora, nem a personagem...mas cujo título me aparece agora tridimensionalmente na vitrine: A casa de bonecas.
       No conto, a autora,  faz referencia a crianças que estudam na única escola do local e expõe que as diferenças das classes sociais e culturais de seus pais interferem no relacionamento diário das crianças. Filhas do juiz, do doutor,do dono do armazém , estudam com filhos do leiteiro, de empregadas domesticas e lavadeiras.
      Duas meninas irmãs ganham uma casa de bonecas grande e convidam para sua casa, amigas da escola para brincar com elas e a casinha... A tia das mesmas impõe limites em torno da novidade do brinquedo e por causa do mesmo. Receberão no máximo duas meninas por dia e as filhas da lavadeira estão proibidas.
      A autora descreve  as agressões intencionais, verbais, durante o lanche coletivo  na escola, das meninas ,feitas de modo repetitivo por uma e mais alunas, com insistência impertinente das colegas, que conheceram o brinquedo, desdobrando perseguição, sugestão e pretensão constante em entristecer as duas filhas da lavadeira que desconheciam o mimo
Depois que todas as meninas visitaram a casinha, conheceram a novidade e se deliciaram com os comentários dos detalhes do interior da casinha pintada de verde escuro, espinafre, oleosa, realçada com amarelo forte... Depois de todos os comentários de surpresa de num único gesto ao abrir a porta, vários cômodos e ambientes simultaneamente aparecerem decorados com paredes empapeladas, quadros com molduras, mesinhas e do destaque nos comentários sobre o inesquecível lampeãozinho . cor de âmbar, com globo branco, cheio com algo que parecia querosene...de verdade, ...eis que surge a oportunidade  das filhas da lavadeira conhecerem a casinha...
            Foi assim... voltando da escola as irmãs são chamadas pela amiguinha proprietária do brinquedo, para a visita ao brinquedo...
Eu penso que este é o momento mais bonito do conto e da vida... quando as crianças são apenas crianças, sem carapaças de adultos, com suas vontades primordiais e sabedorias universais de compartilhar felicidades, distraídas  dos abismos sociais, dão as mãos para a liberdade da brincadeira, são amigos sinceros, livres de juízos e julgamentos apenas para brincar nesse saber pleno e absoluto de conhecimento infinito sobre todas as coisas unas...
E sinto isso atrás da vitrine...

Então, enquanto as crianças observam por fora e por dentro a casinha,  são enxotadas do local, pela tia fria, arrogante  e furiosa... e entra na loja a minha Avó Maravilhosa e compra para mim uma linda casinha de bonecas toda mobiliada e me entrega, me dizendo que hoje é dia do meu aniversário.

Aquelas crianças  enxotadas, ao descansarem numa manilha comentam entre si que viram o lampeãozinho. E eu penso na importância daquele lampeãozinho na minha vida...

Porque aquilo que você tocou com os olhos, aquela verdade que você viu,  será para sempre sua,  um lampeãozinho aceso, compreende?
Aquilo que você viu é uma verdade e ninguém pode te tirar. Nunca mais. Nem você.
Aquilo que vc viu é uma propriedade.
Todos dirão o que quiserem. As pessoas verdadeiras sabem quem são as pessoas mentirosas.
As vitrines? Nem as vejo mais. Não estás vendo o lampeãozinho proeminente que eu trouxe para você?
Fernanda Correia Dias
in A Casa de Bonecas na Vitrine


terça-feira, 23 de maio de 2017

Fernanda Correia Dias. Fotógrafa . Minha Lagoa no Rio

Presente no presente. Rá, rá... Poucos podem, aliás pouquíssimos! Eu aprendi. Estou presente no presente.
Você aprendeu? Não sei não, Jacaré...Só quando você está totalmente presente para si mesmo é que você está presente no presente. E poderá estar presente para os outros, e poderá estar no Planeta...Mas, principalmente, para si mesmo. Começa e termina em você.E começa e termina assim: estar presente no presente. Prestar atenção no que está fazendo consigo mesmo. Prestar atenção no instante.
No instante, jacaré, no instante e sempre. Afastar de si o mal. Aproximar o bom e o bem. Continuamente.Você é hoje o resultado de tudo o que você viveu até hoje. Até aqui. 
E você gosta de você, Jacaré?
A natureza pode secar sua Lagoa, Jacaré...O mar pode inundar sua Lagoa...Você pode perder a água... ou morrer afogado em água salgada...passar fome, frio, sofrer, se sentir sozinho, sozinho...e sobreviver porque gosta de você, ama os seus e está presente no presente, fazendo o bem para si e também para quem não pode retribuir.
Pense nisso sempre, Jacaré.
Quando você sentir amor por si mesmo, quiser para si mesmo seu próprio bem, será muito forte e se perceberá divino. Não se iluda, jacaré. Deixe sua própria luz brilhar. Porque aquilo que se acendeu por si mesmo brilhará para sempre e será você.
Fernanda Correia Dias
in A vida é um presente. Esteja presente no presente.


Fernanda Correia Dias . Fotógrafa . Da Gávea da Pedra

Isto extrapola o social, está muito além, é mesmo inadmissível.
Andava entre as mesas do restaurante da Pracinha do Alto, sendo enxotado como um inconveniente pelos garçons e proprietário e defendia-se dizendo aos presentes, que ele era um professor de filosofia que estava vivendo dificuldades e por isso vendendo infelizmente o que de mais precioso tinha... seus próprios livros! Queria que alguém desse 10 ou 20 Reais por cada um, porque queria comer, e precisava do suficiente para pagar um almoço... Estava sem comer... Apresentava os livros com as duas mãos abertas e os livros no centro das mãos...Sabia o que dizia de Aristóteles e de Platão, explicava o valor imensurável de cada livro e o quanto de muito maior o comprador teria pelo valor de um único almoço...Ele agora comia a biblioteca diariamente... Mas a maioria não conhecia aqueles nomes...Aristóteles e Platão...nem queria trocar umas palavrinhas com ele sobre aqueles assuntos... e ele era a própria figura de Aristóteles diante de nós.
Não me furtei de conversar com ele sobre Aristóteles e Platão, nem de entregar em cédulas mais do que ele pedia, para que além de almoçar, ele pudesse jantar e almoçar por mais alguns dias... Mas os livros só valiam mesmo pelo o que estava escrito...as edições eram populares, estudantis...E eu tinha aquelas obras...
Tão logo viu o meu dinheiro, desapareceu agradecido, muito agradecido e fez questão de apertar a minha mão forte e seguro como faria Aristóteles em pessoa.
          Mais de ano que não o vi e está sentado diante de mim, dentro do vagão do metrô, com mais uns seis livros na mão e a professora conversa com ele, lembrando aos presentes ouvintes, a que ponto chegam os professores, desamparados, com seus livros nas mãos e aposentadorias desprezíveis... enquanto a Educação está abandonada no Brasil... Ela entrega para ele um dinheiro e diz que não quer os livros... e ele está muito sujo... muito sujo... Mas não tão sujo nem descalço como hoje! Diante da loja de produtos de beleza, vejo ele caminhando descalço, com um cobertor atravessado em diagonal sobre um dos ombros como Aristóteles.
E em seguida homens e mulheres deixam a igreja e cruzam por ele com seu coração aqflito... ninguém se compadece... muito ao contrário... Prendem com os próprios dedos as próprias narinas, porque o professor, entre eles,  fede...
Na contraluz, sua silueta no escuro é  de sonho enquanto lembro aquelas palavras aristotélicas que ele nos disse no primeiro encontro na Pracinha do Alto da Boa Vista: Entendemos por virtude relativa a que diz respeito às coisas necessárias e por virtude absoluta a que tem por finalidade a beleza e a honestidade . Educação! Precisamos muito de Educação! Eu não deveria estar vendendo meus livros para comer!

O estudo do bem pertence à política que é a primeira das ciencias práticas.- Aristóteles- 384 a.C- 322 a.C.  - Filósofo grego, macedônico, pupilo de Platão e preceptor de Alexandre O Grande

Fernanda Correia Dias
in Educação Aristotélica

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Água Mole II . Fotografia de Fernanda Correia Dias

Desejo que a Beleza esteja ao Norte e ao Sul, 
a Este e a Oeste de mim, que a Beleza esteja acima de mim, 
que a Beleza esteja abaixo de mim...

Minha prece matinal e 
Prece matinal dos Peles - Vermelhas

domingo, 7 de maio de 2017

Entusiasmo . Foto Fernanda Correia Dias

Objetos instruem porque em todas as formas existem sabedorias.
Minie e Mickey na minha estante, barraca de sol, prancha de surf...uma cabine... Ah... já estou vendo o mar!
Você não vê?
E a felicidade!
Este sorriso que temos quando estamos sentindo o entusiasmo! 
Essa palavra linda, que nos leva aos saltos altíssimos! O espírito conversa conosco nos dizendo do intenso prazer que está sentindo!
Vieram me perguntar como é que eu consigo manter meu entusiasmo...Como é que eu consegui parar de fumar, depois de 38 anos fumando...? Como é que eu enfrento as adversidades que caíram no meu colo como um paralelepípedo lançado contra o meu corpo com o carro em movimento, no para-brisas?
Ora...ora...
Os iogues ensinam a meditar...Eu me ensino a me ditar.
Isso! Exatamente. Eu me dito o que eu quero para mim. Sempre foi assim. Eu me dito e me esforço a obedecer a minha nova e própria ordem. Porque ninguém pode fazer por mim aquilo que eu mesma tenho que fazer. Quem pode para de fumar no meu lugar? Quem manda em mim? 
Quem manda em mim sou eu. É a conclusão da minha higiene mental. Ninguém pode fumar no meu lugar, nem parar de fumar por mim. Sou eu que tenho que me reprogramar. Desejar o melhor que quero para mim e praticar. Me corrigir. Consertar o curso.
Mas esta é uma decisão de solidão. De encontro consigo mesmo que só é alcançada se você realmente costuma fazer uma higiene mental e se reprogramar.
Muitos me perguntam quem me ensinou e como aprendi. Minha mãe me ensinou que precisamos fazer higiene mental. E essa higiene pode ser feita em qualquer lugar... Na praia; ou caminhando na ida ou volta de trabalho ou qualquer lugar; no carro, no taxi; na sala; no trabalho, numa sala de espera...Num jardim...
Não precisa de nenhuma solenidade... O solene é o modo como você fala consigo mesmo. Duro. Firme. Se corrigindo.
Nunca é promessa... Nunca é religião... ´
É muito profundo. É com entusiasmo.É com a certeza que só você pode mudar você. Só você pode se levar para o seu melhor, para o melhor, para aquilo que você sabe que é preciso. Leve-se. Ninguém fará isso para você. Nem por você. Não é possível.
Mude a si mesmo para melhor. É o que eu faço comigo.
Não gosto de ficar procurando o culpado, atribuindo a terceiros a minha irresponsabilidade comigo mesma. Prefiro o enfrentamento de pegar, tocar, tratar e resolver.
Não é fácil e é possível.
É por este motivo que ao ver Minie e Mickey na minha estante, barraca de sol, prancha de surf...uma cabine... Ah... já estou vendo o mar!
Eu sei que o caminho de me ditar, me devolve a alegria e o entusiasmo. Sendo melhor para mim, sou o melhor para todos.

Fernanda Correia Dias
in Meditar e Me ditar.




Dois pombinhos. Foto Fernanda Correia Dias

Olhe bem para a imagem destas duas pombinhas voando. Olhe bem.
Para mim é a imagem que mais sintetiza a conversa de filhos com mães.
Assim , deste modo, entre o céu e a terra, entre as árvores e frutos, no ar, suspensas, no vento, as mães conversam com os filhos. Transmitem de biquinho para biquinho, o Essencial. Só o Essencial. 
São frases curtas. Simples. Fáceis de absorver. Tão rápidas, tão fáceis e tão sinceras, cultivadas na mais alta sabedoria, do Amor em estado de voz, que a maioria dos filhos desperdiça, como trivial...
Abrem o bico no ar e saem batendo asas apressadas que dizem assim: Ah... ela é antiga, não sabe nada... deixa ela falar...
Eu escutei da minha mãe: Antes de lavar qualquer coisa na lavadoura de roupa, veja se a máquina está de fato vazia. roupas com cores ou texturas diferentes juntas, numa única lavada, podem ficar definitivamente inúteis, manchadas para sempre, etc.... Não lave na máquina, roupas de cor branca com roupas da cor azul ou outras cores...Não lave toalhas de banho brancas com roupas pretas...Lave branco com branco, toalhas com toalhas, mas atenção com as cores e as texturas! Lave as claras com as claras, as escuras com as escuras... atenção com as superfícies e as texturas...
Não é simples? Não é muito simples? Não é lógico? Muito lógico?
Então eu coloquei o casaco escolar  de tecido tactel marinho para lavar com a toalha branca que eu não vi dentro da máquina e quando tirei da máquina, eu tinha um casaco marinho todo enfeitado de pintas brancas e uma toalha branca  toda enfeitada de bolinhas marinho...
Eu ouvi o que ela disse, mas não introjetei que tinha que me certificar que a máquina estava vazia... e...
É assim. As mães falam o simples. Poucas palavras, precisas palavras, imensas verdades.
O simples delas, está carregado de noções complexas que elas nos transmitem. 
Simples.As mãos falam o simples. As mãos não pensam por nós! Precisamos pensar pelas mãos!
Se você não preparar seu ouvido para usar o simples integralmente... Se você não se preparar para absorver a informação, introjetar e praticar... sua vida vai dando errado... dando errado...

Atenção! Você foi avisada!

Não coma escrevendo ou lendo.
Só depois que engoli muito queijo brie com papel e plástico percebi a importância de não comer lendo ou escrevendo...Desagradável saber da quantidade de plástico e papel que engoli com tanto prazer, sem olhar para o que estava comendo...

As mães avisam, de biquinho para biquinho, só o Essencial.
Estude! Seja organizada assim e fazem demonstrações! Aprenda a ser independente, a ter seu trabalho, fazer sua comida, limpar sua casa, consertar o quebrado, costurar o descosturados, pregar botões, fazer sua mobília, porque você poderá ter quem não faça para você e terás que fazer para si mesma...Leia biografias, leia livros que ensinam técnicas; plante! Dance! Dirija carro, bicicleta, fotografe com arte! Aprenda a esticar o lençol ! Troque seus lençois e toalhas se possível todos os dias.

As mães avisam sobre as amizades e os filhos duvidam das mães.
As amizades sempre levam os filhos para os caminhos mais difíceis, e as vezes, sem volta.
Ninguém vai te salvar, te socorrer, como uma mãe...Ela vai mover o mundo.
Não esqueça de comunicar que você precisa de socorro, de salvação...
Ninguém ama os filhos como amam as mães. Amor absoluto.

Eu fico tão contente quando encontro filhos bem formados, que ouviram seus pais. Suas mães.
Porque estes, que ouviram seus pais, ainda que não estejam completamente protegidos de todas as adversidades, das maldades dos seres humanos e de si mesmos, saberão ao menos dizer a si mesmos e aos outros, o Essencial. De biquinho para biquinho como fazem as mães, certos de que os ouvintes saberão fazer bom uso do Essencial.

As mães não vivem para sempre, mas aquilo que nos dizem são verdades eternas e absolutas.
Quando aplicamos, somos sempre melhores do que éramos.
Aplique.
As mães voam rápido, nos entregam o Essencial e partem rápido.Não perca tempo, pratique logo o Essencial. Elas não desperdiçam o valor das palavras. A importância.
A vida é feita de tempo, não desperdice o precioso tempo da mãe! Faça perguntas. Proteja sua mãe. Elas são um templo de sabedoria.
Faça imediatamente o que ela te ensina! 
Só assim vai economizar o tempo que os que não ouvem seus pais gastam quebrando a cabeça...Anos!
Muitos anos! 
Desnecessário... né?

Fernanda Correia Dias
in Pombinhas ou Sua mãe é um templo de sabedoria.










terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Água mole . Fernanda Correia Dias . Fotógrafa
                                       Água mole . Fernanda Correia Dias . Fotógrafa

O céu com o ar cheio de água, a água mole na minha frente e dentro do meu corpo, me evaporando em micropartículas...
O céu e aquela água toda suspensa. Pronta à desabar a qualquer momento enchendo a terra de água, inundando o seco e o molhado... inundando...
A menina boiando na água, nadando na água, vencendo as distancias, suando, batendo braços e pernas contra o ar, entre o céu e a terra, na água... a menina...
E os talos das folhas por ali, seiva, indo e vindo feito ondas de mar, sopradas por ventanias de águas evaporadas... evaporada...
Essa mistura misteriosa, maestra maior do mundo sempre recomeçando, sempre recomeçando...
micropartículas, inundando, a menina água. A menina evaporada.


in Água mole
Fernanda Correia Dias

Céu do Rio . Fernanda Correia Dias . Fotógrafa
Céu do Rio . Fernanda Correia Dias . Fotógrafa

Coragem, leio neste céu. Esta palavra que me acompanha. Irmã de Enfrentamento, como ouvi a explicação: A vida é Enfrentamento. 
Vamos. Teremos muitas paisagens, sejam quais forem, teremos que enfrentar continuamente. Para isso te preparo. Disse sempre a voz que me protegeu e me protege.
Vão aprender a cozinhar e comerem crus ou cozidos todos os comestíveis. Vão aprender a gostar, experimentando! E vão lavar a casa e as próprias roupas e as dos outros, porque tudo devem saber. A servirem bem, para serem bem servidas. Vão varrer, passar, costurar, tricotar, etcterá...Vão sim! Tudo o que for saudável. Ninguém sabe o que é o futuro. Podem precisar fazer para si e para os outros. Vão aprender logo! Vão aprender a se afastarem do que é ruim. Do Mal. Não vão experimentar o que sabem que está errado. E vou avisando logo: Passem a vez adiante! Não experimentem aquilo que cria dependência e é nocivo à saúde. Defendam-se de si mesmas. Não estarei aqui para sempre.
A vida é Enfrentamento. A Coragem vem das habilidades que desenvolverão para enfrentarem as adversidades. Porque os Monstros são criados por  medos.

Leio o céu, compreendo que tudo gira... Se você não muda, algo vai mudar você e em você... É o que diz o céu!
Mutatis Mutandis preparem-se sempre e continuamente. Mantenham-se interessados por tudo e principalmente pela compreensão dos próprios limites. Enfrentem ou tenham coragem de se afastarem. Nada é para sempre. Tudo muda. Tudo gira.
Feliz Ano Novo!
in Céu do Rio
Fernanda Correia Dias